terça-feira, 18 de julho de 2017

Doe um agasalho e ganhe uma cerveja, que tal?

Pela primeira vez neste ano, a Acerva Paranaense fará uma ação social e conta com a sua participação! O evento ocorrerá nesta quarta, 19 de julho, a partir das 19h,  durante a Noite das Artesanais.
Nele, receberemos as doações de agasalhos e outras peças de roupas de inverno, de tamanhos adulto e/ou infantil e limpas, que serão doadas para o CRAS Boqueirão. O evento é aberto e todos poderão colaborar!
As 50 pessoas que doarem por primeiro ganharão uma garrafa de Wee Heavy exclusiva!
O Bar Tiwanaku, que irá receber o evento, estenderá os preços promocionais do happy hour até às 22h.




quarta-feira, 8 de junho de 2016

A maneira mais simples de fazer cerveja em casa (sem equipamentos).

Faça cerveja em casa



Se você, apreciador de cervejas artesanais, sempre teve vontade de fazer a sua própria cerveja mas não faz por que acha que precisa de uma montanha de equipamentos, saiba que existe alternativa. O objetivo deste texto é incentivar a produção artesanal de maneira simples, como um empurrão para o iniciante tirar o sonho de cervejeiro caseiro do papel.
A resposta à pergunta que não quer calar: posso fazer cerveja sem investir nada? Não. Mas é possível começar gastando quase nada, assim você sente o gostinho e decide se quer partir para uma produção mais dedicada ou se vai manter apenas como brincadeira de fim de semana. Vamos explicar da forma mais sucinta possível o processo, sem nos atermos aos detalhes e nomes técnicos de cada etapa com o objetivo de obter cerveja com o mínimo de equipamento possível. Queremos aqui difundir a informação de que o processo de fabricação artesanal de cervejas, apesar de trabalhoso, pode ser muito simples.

Qual será o resultado final? Vou ganhar uma medalha com a minha cerveja? Minha cerveja vai ficar boa? A maior falha desta forma de fazer cerveja está no processo fermentação, pois não há controle de temperatura, o que pode comprometer seriamente o resultado final, principalmente se houver muita variação na temperatura. Para evitar maiores problemas, o ideal é escolher um local da sua casa com temperatura ambiente amena (próxima de 18°C ) e com pouca variação nesta temperatura. Se você tiver um porão em casa, bingo, é lá que você vai fermentar a sua cerveja.
Como você não irá utilizar um densímetro, para acompanhar a densidade específica do seu mosto e o resultado final, você não saberá qual a graduação alcoólica exata da sua cerveja. A graduação alcoólica estimada desta receita é 5,5%, amargor aproximado de 44 IBUs e coloração 8 SRM.

Materiais necessários:


- Termômetro (para medir água até aproximadamente 70° C).
- 1 m² de tecido tipo Voil.
- Cooler ou caixa térmica que comporte duas vezes a medida da sua receita.
- Panela que comporte a medida da sua receita com folga (para evitar que transborde durante a fervura).

Como funciona o processo?

 Fazer cerveja é fermentar os açúcares do malte. Portanto, precisamos extrair os açúcares do malte para formar o líquido fermentável (mosto). O mosto será fervido por 60 minutos, adicionado de lúpulo e, ao fim, fermentado por leveduras. Após a fermentação, a cerveja precisa ser carbonatada antes do consumo. 

Insumos:


Como exemplo, utilizaremos uma receita simples de American Pale Ale, que leva:
 - 1 Kg de malte Pilsen (moído); 
 - 200g de malte Pale (moído);
 - 100g de malte Caramunich (moído);
 - 50g lúpulo Citra;
 - 1 pacote Levedura Fermentis Safale US05;
 - 10 litros de água mineral. (a embalagem será utilizada na fermentação);
 - 1 litro de álcool 70% (para sanitização);
 - 3kg de gelo (para resfriar o mosto).

Como você vai utilizar o malte moído e não tem um moedor em casa, solicite à loja de insumos que moa o malte para você. A maioria destas lojas entrega o malte moído e na quantidade certa sem cobrar a mais por isso.

A primeira e mais importante regra é limpeza e sanitização. Tudo o que for tocar a sua cerveja precisa estar absolutamente limpo. E tudo o que for tocar sua cerveja após a fervura precisa ser sanitizado. Se você não cuidar da limpeza e sanitização, pode ter que jogar tudo fora. Entendeu?
Para sanitizar uma superfície ou um equipamento, será necessário mantê-lo em contato com álcool 70% durante 10 minutos. Você pode utilizar papel toalha ou um borrifador para auxiliá-lo no processo. Cuidado com restos de álcool na sanitização de garrafas para não influenciar no sabor da cerveja.

Portanto, a partir de agora assumiremos que todos os seus materiais estarão limpos e/ou sanitizados:

Primeira Etapa - Mash


Coloque o voil dentro do seu cooler ou caixa térmica, de maneira a formar uma bolsa, prendendo nas bordas (você pode usar barbante, por exemplo) para que você possa adicionar água, os grãos e depois retirar tudo antes da fervura.

Cooler com Voil
Imagem: goldilockshomebrewing.com


 Aqueça 5 litros de água até 75° C  e adicione ao cooler. Adicione os grãos moídos, mexa bem e faça com que a temperatura chegue a 68º C (adicionando pequenas quantidades de água quente ou fria). Esta temperatura deverá ser mantida durante 60 minutos. Você deverá adicionar mais 2 litros de água para manter a temperatura durante este período, chegando a 7 litros totais ao fim desta etapa.

Feche o saco e utilize-o para retirar os grãos do cooler; aguarde até que o líquido do saco escorra (você pode torcer o saco de grãos para acelerar o processo, mas não exagere).

Transfira o mosto do cooler para a sua panela, onde irá acontecer a fervura.

Segunda Etapa - Fervura


Ligue fogo forte e aguarde iniciar a fervura. Se a panela for larga o suficiente, ligue duas bocas do fogão. O mosto deverá ferver por 60 minutos.

Observações:
A fervura deverá ocorrer com a panela aberta (destampada);
Cuidado ao adicionar o lúpulo, a fervura pode subir quando você fizer isso.

Utilize um timer regressivo para contar o tempo de fervura, iniciando em 60 minutos quando o liquido começar a borbulhar intensamente.

Faltando 20 minutos para o fim da fervura, adicione cerca de 1/5 do lúpulo (10g).
Faltando 10 minutos para o fim da fervura, adicione 1/3 do lúpulo restante(13g).
Ao fim da fervura, adicione o restante do lúpulo e desligue o fogo.


Agora você deverá tentar manter a panela fechada sempre que possível (lembre-se que após a fervura o mosto fica suscetível a contaminação por leveduras e bactérias presentes no ar) e resfriar o mosto até a temperatura de 30°C (sanitize o termômetro para medir).
Quanto mais rápido o mosto for resfriado, melhor. Para resfriar mais rapidamente, você poderá utilizar um banho maria com água gelada. Você pode encher a pia da cozinha com gelo e água e colocar a panela, mexendo com uma colher sanitizada, até atingir a temperatura desejada.

Terceira Etapa - Fermentação


Transfira o mosto para a embalagem da água (galão plástico sanitizado), feche e aguarde o mosto resfriar até a temperatura ambiente.
Agite o mosto por 5 minutos para incorporar oxigênio.
Adicione a levedura.

 Durante o processo de fermentação a levedura irá converter os açúcares do mosto em álcool e gás carbônico.  Para evitar que o gás carbônico liberado na fermentação exploda o fermentador, nós precisamos de uma maneira de permitir que o gás seja liberado sem que haja entrada de ar e contaminação externa. Para isso, o ideal é utilizar um válvula do tipo Airlock, que fica cheia de água e cumpre com esta função. Entretanto, caso não queira investir na airlock, você poderá utilizar uma bexiga no lugar da tampa do seu fermentador. Faça alguns furos na bexiga com um alfinete de forma que a pressão criada no interior do fermentador possa sair, sem, entretanto, permitir a entrada de ar e possível contaminação do mosto. 
Mantenha seu fermentador em local fresco (18°C é o ideal) e abrigado da luz por 21 dias. 

Ao fim dos 21 dias, sua fermentação já deverá estar bem estabilizada, e a levedura deve ter floculado e se depositado no fundo do fermentador.

Engarrafamento e Priming


Com cuidado para não movimentar a levedura que está no fundo, transfira a cerveja para garrafas PET sanitizadas (As de refrigerante e água com gás são as mais resistentes).
Como o CO2 gerado durante a fermentação não pode ser retido na cerveja, forçamos para que ocorra um pouco mais de fermentação dentro da garrafa para que a cerveja incorpore o gás. Para isso, adicionaremos açúcar para reativar a fermentação dentro da garrafa.
Adicione 6g de açúcar por litro de cerveja. Em caso de dúvida na quantidade de açúcar, você pode usar aqueles envelopes de açúcar que são usados em restaurantes e cafeterias. Alguns vem com exatos 6g.


Mantenha a cerveja em temperatura ambiente e aguarde de 7 a 15 dias até que a cerveja esteja carbonatada. 
Resfrie e aprecie sua criação.

Caso você esteja inseguro sobre algum passo ou tenha alguma dúvida, entre em contato comigo através do e-mail daniel@loucosporales.com.br e eu vou esclarecer. Suas dúvidas ou sugestões serão usadas como base para atualização deste texto.

Se você fizer sua cerveja em casa e gostar da brincadeira, você pode se associar à Acerva, Associação dos Cervejeiros Artesanais. Sempre tem muita gente bacana trocando conhecimento e experiências sobre o assunto, além, é claro, de beber ótimas cervejas. Este é o site da Acerva Paranaense: http://acervapr.com.br/

Nos conte dos seus resultados na caixa de comentários aqui em baixo, ficarei muito feliz de saber como ficou a sua cerveja.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O que esperar do Festival Brasileiro da Cerveja de 2016 - 8 Motivos pelos quais você não pode perder o evento.

Faltando quatorze dias para o início do festival brasileiro da cerveja deste ano, que ocorre de 09 a 12 de março no Parque Vila Germânica, em Blumenau, o Loucos Por Ales te adianta o que você irá encontrar por lá e por que não perder este evento, que é considerado a Meca cervejeira brasileira.

Contrariando a lógica da maior parte dos festivais, como nós já descrevemos aqui, o festival é muitíssimo bem organizado e é uma verdadeira oportunidade de conhecer muitas novas cervejas. Sendo uma das maiores datas do calendário cervejeiro brasileiro, o festival de Blumenau atrai muitos lançamentos de novas cervejas, preparadas pelas cervejarias especialmente para estréia no evento.


Quais as vantagens do festival?

1 - Variedade de rótulos - As cervejarias mais importantes e mais premiadas do Brasil estarão expondo lá. São centenas de rótulos frescos sendo servidos lado a lado em apenas um evento.

2 - Conheça o cervejeiro - A grande maioria dos cervejeiros vai pessoalmente ao evento. Portanto, apesar da correria, você pode, literalmente, tomar uma com o criador da obra de arte.

3 - Preços atrativos - O preço do ingresso (de R$12 a R$25) está entre os mais baixos praticados no ramo. Já o valor dos chopes, julgando pelos anos anteriores, é um pouco menor do que é praticado nos bares. Aparentemente o festival realmente serve como vitrine, para que as pessoas conheçam os rótulos e voltem a comprar os produtos.

4 - Doses menores - Em Blumenau você terá a oportunidade de comprar chopes em doses de 100ml, o que te permitirá provar de vários estilos e várias cervejarias diferentes sem perder a referência. Sugerimos, até, que dividam os rótulos mais potentes com um amigo para aproveitar ainda mais. Uma outra vantagem das doses menores é poder arriscar e provar cervejas que você ainda não teve coragem de provar, seja pelo elevado preço ou pela fama de cerveja ruim, nem que seja para confirmar que ela não te agrada. Em suma, quanto maior a variedade de rótulos que você provar, melhor.

 5 - Espaço adequado - A vila germânica, em Blumenau, é um espaço grande, com pavilhões cobertos, diversos restaurantes, palcos, pontos de água para lavagem de copos e estrutura adequada de banheiros, você não passará nenhum tipo de necessidade neste evento.

6 -  Expositores - Nem só de cerveja vive o homem. Muitos outros produtos relacionados ao universo cervejeiro estarão expostos e disponíveis para compra durante o festival. São copos, máquinas, insumos, camisetas e até equipamentos profissionais de cervejaria, tudo em um evento só. Além de cursos e palestras que ocorrem paralelamente ao festival.

7 - Lançamentos - Além de aproveitar as cervejas que estão sendo lançadas durante o evento, você poderá provar as cervejas que forem premiadas no concurso que acontece concomitantemente ao festival. Concorde ou não com o resultado do concurso, junte os seus amigos e discuta o assunto.

8 - Encontre o pessoal - Quem é admirador da cerveja de qualidade não perde o evento, então você irá encontrar os amigos, os figurões, os mestres cervejeiros, os caseiros, jornalistas, blogueiros. E nós, do blog Loucos Por Ales, mais uma vez, marcaremos presença no Stand Takeover no stand do Mad Gulliver, responsável pelo Beertone.(saiba um pouco como foi no ano anterior)

O lançamento que merece nosso destaque neste ano é para a aguardadíssima Katrina, da Yankee Nanocervejaria, de Curitiba. A cerveja Katrina foi a campeã do IV Concurso Estadual de Cervejas Caseiras da ACervA/SC, ocorrido em maio de 2015. Trata-se de uma Russian Imperial Stout maturada em Amburana, uma autêntica representante do estilo, cerveja de elevada complexidade, com aroma marcante da madeira e maltes torrados, apresenta paladar adocicado e suave, a despeito do elevado teor alcoólico.
Por ter sido a receita campeã do concurso catarinense de 2015, ela ganhou uma versão industrializada, em Janeiro de 2016, na cervejaria Schornstein, de Pomerode, e estará disponível para degustação no festival. Em primeiríssima mão, tivemos a oportunidade de provar a versão de panela, que competiu no ano passado, e estamos ansiosos pelo lançamento em Blumenau.


Cerveja Katrina, da Yankee em parceria com a Schornstein
        
Até lá, nos vemos em Blumenau!

domingo, 29 de novembro de 2015

Confira o resultado do IV Concurso paranaense de cerveja feita em casa

Aconteceu ontem a festa de premiação do IV Concurso paranaense de cerveja feita em casa e, como não poderia deixar de ser, estávamos lá para acompanhar tudo. Não só para acompanhar, acabamos levando medalhas também:

1º Lugar - Categoria Hidroméis e Sidras
3º Lugar - Geral - Best of Show



Confira abaixo o resultado completo:
Categoria Leves:
1 - 4FWeizen - Weizen/Weissbier - Oscar Fierro
2 - WiThiago - Witbier - Thiago Vasconcellos
3 - GIRAIAGUA - Standard American Lager - Henrique Cruz

Categoria Escuras:
1 - Vanilla Porter - Robust Porter - Rafael Rossetto
2 - MAGIS - Robust Porter - Helio Rissio
3 - Capulus - Northern English Brown Ale - Rodrigo Brunetta
Categoria Ales Fortes e Bocks:
1 - Pandorga Old Ale - Old Ale - Andreia Hiura
2 - Betume - Imperial Stout - Ricardo Harmuch
3 - BW Maison Bleue - English Barleywine - Wiliams C Souza Jr
Categoria Pale Ales:
1 - Jandersonpaulo@yahoo.Com.Br - Belgian Pale Ale - Janderson Bonfim
2 - VIKINGS - Irish Red Ale - Guilherme Lima
3 - GiraiAblond - Blonde Ale - Henrique Cruz
Categoria American Pale Ale:
1 - Classic Style #5 - American Pale Ale - Guilherme Cominese
2 - APA Lei Seca - American Pale Ale - Dirlei Wolf
3 - Arrebatadora De Coracoes (JuliPA Edition) - American Pale Ale - Juliano Costa
Categoria IPAs:
1 - Nummer 02 BinhoBier IPA - American IPA - Fabio Schlichting
2 - MAGIS - American IPA - Helio Rissio
3 - IpanElla - English IPA - Ricardo Pena
Categoria Belgas:
1 - Dark Belgie - Belgian Dark Strong Ale - Roverli Ziwich
2 - Prophanna 4teen Months - Belgian Blond Ale - Matheus Mello
3 - Belgian Tripel - Belgian Tripel - Leonardo Soares
Categoria Sour, Frutas e Especiarias:
1 - Moonshine Oud Bruin - Flanders Brown Ale/Oud Bruin - Rafael David
2 - Vanila Shake - Spice, Herb, or Vegetable Beer - Diego Soares
3 - Berliner Hammes - Berliner Weisse - Marlon Hammes
Categoria Defumadas e Amadeiradas:
1 - Chancho - Classic Rauchbier - Marlon Hammes
2 - Smoked Robust Porter - Other Smoked Beer - Ricardo Pena
3 - Terminator - Other Smoked Beer - Joao Roberto Melo Da Silva
Categoria Especialidades:
1 - Sour Saison Com Butiá - Specialty Beer - Edivan Zuanazzi
2 - TV Session IPA - Specialty Beer - Thiago Vasconcellos
3 - Prophanna Citrus TypeFour - Specialty Beer - Matheus Mello
Categoria Hidroméis e Sidras:
1 - Hophead Mead - Metheglin - Daniel Dallagassa
2 - Melomel - Other Fruit Melomel - Henrique Hertel
3 - Bouchet Cacau - Open Category Mead - Henrique Hertel
Best of Show:
1 - Chancho - Classic Rauchbier - Marlon Hammes
2 - Classic Style #5 - American Pale Ale - Guilherme Cominese
3 - Hophead Mead - Metheglin - Daniel Dallagassa

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

5 táticas da AB-InBev para acabar com as artesanais

Novamente vamos falar da Ab-InBev, aqui carinhosamente alcunhada de Império Galático, e das suas medidas para inibir o crescimento da Aliança Rebelde (movimento dos cervejeiros artesanais).

Tal plano maléfico já está bastante claro no mercado dos Estados Unidos e a tendência, como já vem acontecendo em vários níveis, é que no mercado nacional aconteça algo muito parecido.

As informações são da Everyday Money.

São 5 etapas básicas que compõem a construção da Estrela da Morte do Império contra a Aliança.

Nunca me pareceu muito mortífera


Vamos aos fatos:

1- Criação de pseudo-cervejarias artesanais



Eles criam algumas marcas premium, semi-artesanais, com um storytelling interessante que se mistura com o sonho de seus cervejeiros "empreendedores".  Nos esteites, caso famoso é o da Blue Moon que produz uma ótima Witbier baseada na escola belga e que foi criada pela mente inventiva de um tal Keith Villa em uma pequena cervejaria em Denver. No entanto, essa cervejaria nasceu sob o domínio da Coors, uma das grandes americanas e que é uma subsidiária da SABMiller e que hoje faz parte do Império.

Essa cervejaria foi, ao que parece, a que deu a origem ao termo "crafty", expressão surgida da palavra craft que é a denominação para as cervejarias artesanais nos EUA. Crafty, para simplificar, seria algo que parece muito uma cervejaria artesanal, mas não é, pois pertencente a uma grande corporação e logo lhe falta a independência das crafts.

No Brasil, não lembro de uma história tão elaborada em torno de uma marca para fazê-la se passar por uma cervejaria artesanal.

No caso do Império, o mais próximo disso é a linha premium da Bohemia e que hoje possui alguns novos rótulos, mais semelhantes à pegada artesanal (antes havia apenas coisas como Weiss, Abadia e etc).

Outro exemplo seria a Therezópolis, que apesar de não ser de uma megacorporação, nuca foi uma pequena empresa, nos moldes de uma verdadeira artesanal. Mas essa cervejaria não é o nosso foco para o momento.

Basicamente, a ideia dessas pseudo-artesanais é pegar alguns novos consumidores incautos que estão cada vez mais exigindo qualidade, mas ainda não estão cientes do verdadeiro movimento artesanal.

2 -  Comprar e tomar para si marcas de cervejarias artesanais



Como diz na matéria original, "se não pode vencê-las, compre-as todas". Nos EUA o Império Galático comprou as cervejarias Goose Island, Elysian, 10 Barrel, Golden Road, Blue Point. Tais marcas sempre foram reconhecidas por sua qualidade, sendo que a compra por uma grande corporação não poderia lhes tirar o título de crafts. Segundo o discurso do próprio Império isso seria uma injustiça com a tradição dessas cervejarias. No entanto, esse papo não cola para a Brewers Association (entidade representativa das cervejarias artesanais dos EUA).

Por aqui, temos como exemplos bem claros a Wäls e a Colorado, compradas também pelo Império, sob o discurso de se criar uma escola cervejeira brasileira, uma verdadeira comunhão de esforços para levar boas cervejas para todos os rincões desse "Brasilzão".

Para nós desse blog, e para muitos cervejeiros artesanais, esse discurso também não colou.

3 - Combate ideológico: vocês todos são uns "beer snobs", cervejochatos

De um lado, eles tentam criar pseudo-artesanais ou mesmo adquirir marcas artesanais para ter parte desse mercado, por outro, fazem propaganda para desacreditar o movimento artesanal. Nos EUA ficou famosa a propaganda da Budweiser, inclusive repercutindo por aqui, no intervalo do Super Bowl, promovendo o orgulho de ser grande e de quebra tirando onda com os apreciadores de cervejas artesanais (saiba mais no Bebendo Bem).

Falando nisso, não passe por Beer Snob ao falar como um deles.

4 - Controle da distribuição

Você é livre pra decidir e vender o que você quiser


É notório que a AB-InBev tem poder econômico suficiente para adotar todo tipo de manobras anticoncorrenciais se não houver fiscalização e regulação de sua atividade. Nos EUA o Império tem dominado diversos pontos de distribuição, entre eles, grandes franquias de restaurantes, em que nenhuma outra marca de cerveja entra se não for do Império. Inclusive, os organismos do país já investigam essa atuação predatória (veja aqui)

Por aqui, a coisa não é muito melhor. Há diversos relatos de microcervejeiros que têm seus produtos negados nos mais diversos pontos de venda em razão de um lado oculto da força (nada muito declarado).

A atuação anticoncorrencial se verifica bastante facilmente na maioria dos bares espalhados pelo Brasil, os quais só trabalham com cervejas de uma grande marca. Onde vende Heineken, não vende Ambev, onde vende Ambev só vende Ambev. Claro, a empresa não proíbe o bar de vender outras cervejas, a questão é que ela terá que levar embora suas diversas geladeiras que muito gentilmente foram disponibilizadas ao estabelecimento, entre outras regalias perdidas que só uma megacorporação tem condições de conceder.

5 - Dominar o mercado por meio de fusões

Todos já sabem da negociata entre as duas maiores companhias de cerveja do mundo, SABMiller e AB-InBev. O Império cresce e passa a alcançar todas as regiões desse planeta, desse pequeno pálido ponto azul (como diria Carl Sagan). E o que é melhor, não tem pela frente seu maior concorrente, pois agora estão do mesmo lado. A empresa pode melhorar sua logística, pontos de distribuição e de quebra economizar uma quantia monstruosa de dinheiro em marketing agressivo, pois, como dito, sua maior concorrente não mais existe. Segundo a matéria em que baseamos esse texto, as duas empresas gastavam algo perto de 500 bilhões de dólares anuais em propaganda. Agora dá para diminuir isso pela metade (para ser bem simplista).



* Bônus * 6 - Lobby político

A matéria original não traz esse fato, esse é especial para leitores do Loucos por Ales. O Império fez diversas doações para campanhas eleitorais das mais diversas frentes e ideologias. Não admira que a proibição da venda de cerveja em estádios na Copa do Mundo da Fifa tenha se revertido e passou a vender apenas um tipo de cerveja (adivinha). E o Simples Nacional emperrado? (Saiba mais no Henrik Boden) Até agora não houve a inclusão das micros nesse sistema facilitado de arrecadação. Para tal negativa utilizam-se de argumentos mais do que demagógicos, como o fomento de empresas de bebidas alcoólicas e por consequência o incentivo ao abuso, entre outras besteiras.

A atuação de grandes corporações na política e em processos legislativos não é novidade, é o tipo de coisa que todo mundo sabe, mas ninguém gosta de comentar. Mas é preciso apontar essa força maligna sobre nossos facilmente corruptíveis políticos.

Que a força esteja com vocês amiguinhos.




segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Terça dos artesanais - Venha conhecer a criatura e o criador.

Se você gosta de cerveja, de fazer ou simplesmente de apreciar, a terça dos artesanais é uma excelente oportunidade de conhecer novas cervejas, aprofundar seus conhecimentos e, de quebra, participar de uma degustação grátis!

O evento tem o apoio da Acerva Paranense e é muito frequentado por cervejeiros caseiros, então sempre ocorrem trocas de informações valiosas sobre características técnicas da cerveja e sobre a fabricação em si. Seja você apreciador, conhecedor ou cervejeiro, será de grande proveito.

Na próxima terça feira (10/11/2015) o evento acontecerá na cervejaria Masmorra ( R. Itupava, 1142 - Alto da Rua XV - Curitiba) e será capitaneado pela Yankee Nanocervejaria, que apresentará algumas de suas criações, além de comandar o debate. A entrada é gratuita e a degustação também.



A Yankee Nanocervejaria é a criação do mestre Gean Carlo Vila Lobus, escolhido cervejeiro catarinense do ano no IV Concurso Estadual de Cervejas Caseiras da ACervA/SC, concurso em que foi premiado nas seguintes categorias:

Ales Inglesas:
3º Lugar – English Barleywine


Frutas, Especiarias, Defumadas, Madeira
1º Lugar – Wood-Aged Beer


Outros Hidroméis
2º Lugar – Braggot


No best of show, rodada em que são eleitas as melhores cervejas, independente de categoria, Gean ainda foi premiado com a melhor cerveja do concurso, com sua Wood Aged e terceiro lugar com o Braggot na categoria Hidromel. 







quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Os 10 mandamentos dos eventos cervejeiros

Para que e para quem servem os eventos cervejeiros? Esta é a pergunta que não quer calar em minha mente neste momento. Seguindo a linha de "O que ninguém vai te falar sobre festivais de cerveja", elencamos os dez mandamentos dos eventos cervejeiros.

Desde que começamos a nos interessar por cerveja, visitamos diversos eventos e festivais e agora fazemos questão de, pelo menos, passar pelos eventos mais importantes. Aprendemos muito com esta experiência e vamos ilustrar a realidade da organização de eventos cervejeiros com estes dez mandamentos.

Alguns dos mandamentos não são exatamente falhas de organização ou culpa do evento, mas são desvantagens claras em relacão a sentar em um bom bar para apreciar sua cerveja.  Vale também ressaltar os eventos que foram mais cuidadosos com estes fatores, proporcionando melhor experiência aos seus convidados:

1 - Cervejas Curitibanas - Quintana Café e Restaurante: Tirando alguns pequenos descuidos com a forma de apresentar e servir a cerveja, o Quintana cuidou de tudo na comemoração de seus sete anos.

2 - Festival Brasileiro da Cerveja - A Vila Germânica, em Blumenau, é a sede mais do que apropriada para o grande evento de maior qualidade que já presenciamos. 

Alerta: Não são todos os eventos que cumprem com todos os requisitos abaixo, mas mais da metade estará disponível no próximo final de semana, no evento mais próximo de você.


1 - Aguardarás em filas
Imagem: antropologiajuridicauesb
A fila é regra nos eventos cervejeiros, seja para comer ou para beber, você irá encarar filas. Muitas vezes você terá que enfrentar duas filas: uma para comprar o ticket e outra para capturar sua cerveja.  Bônus: Haverá fila para o banheiro também.



2 - Beberás em copos de plástico ou vidros de conserva



Imagem: www.beercast.com.br/

Com muita gente por todos os lados, é praticamente impossível prover copos adequados a todos. (Exceto Dum Day, que forneceu cristal a cada um de seus participantes). A moda, atualmente, é vender o caneco de acrílico ou copo de plastico, com a opção de devolver o dinheiro ao fim do evento, mediante a devolução do copo. Cabe ressalvar que o canequinho acrílico é legal, mas que quando você vai a um local especializado, deveria ter a oportunidade de beber em um copo de vidro, devidamente higienizado. Sabemos que a lógica de um evento ou festival é outra, mas este é um fato negativo quando em um festival.


3 - Ficarás em pé


Sim, não há lugar para todos se sentarem e, mesmo que houvesse, a maior parte do tempo você estará em pé em uma fila.

4 - Comerás mal



Em eventos cervejeiros a regra é: Hanburguer de Food Truck. Ou seja, comida ruim e cara. Você irá pagar caro para comer em pé um lanche de baixa qualidade, servido em pequena quantidade.

5 - Estacionarás em qualquer lugar


Imagem: cgn.uol.com.br/


Está certo que bebida e direção não combinam, mas quem é adepto do motorista da rodada não tem onde estacionar o carro. Nós, que vamos de bike, tampouco somos contemplados com espaço adequado ou segurança de estacionamento.

6 - Gastarás todo o seu dinheiro




Sim, os eventos normalmente não tem promoções convincentes de cerveja e, como mencionado no mandamento de número 4, a comida é caríssima.

7 - Beberás cerveja estragada 

Talvez o maior desgosto de um apreciador de cervejas seja tomar um chope com defeito. Desconfiamos que alguns eventos são organizados com o intuito de acabar com barris que possuem algum defeito (off-flavours, contaminação ou prazo de validade). A maioria dos eventos cervejeiros, infelizmente, tem servido chopes com algum defeito. 

8 - Beberás cerveja mal servida
Imagem: blogs.estadao.com.br/


Além de ser servido num copo inadequado, seu chope será servido com pressa (pois há fila), possivelmente por uma pessoa que não foi propriamente treinada (é necessário contratar muitos profissionais para atender a um batalhão de bebedores). Como já dissemos em "maneiras simples de dizer se um bar de cerveja é sério", o bico da chopeira não deveria tocar o copo e, muito menos, o conteúdo que fora servido. Mas, em alguns eventos, vale tudo: cerveja escorrendo pelo chão, bico da chopeira mergulhado na cerveja servida, troca do barril sem limpeza de mangueiras. Higiene zero.

9 - Não lavarás suas mãos

A regra é, gente suada e engordurada para todos os lados. Além de ter que aguardar na fila para utilizar um banheiro químico, você provavelmente não terá local apropriado para lavar suas mãos. Se comer um hambúrguer, deve se contentar apenas com o guardanapo. Mais uma vez, nota zero para higiene. Não é de se admirar que tanta cerveja contaminada seja servida neste tipo de evento. Nem todos os eventos oferecem torneiras para limpeza dos copos, que deveria ser obrigatória neste tipo de situação.


10 - Ficarás exposto ao tempo


Imagem: wp.clicrbs.com.br/


Este é um ponto que está melhorando muito, mas como a maior parte dos eventos ocorre a céu aberto e, invariavelmente há fila, você terá que encarar sol, chuva, frio, ou o que São Pedro mandar para você neste dia. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...